
O que aconteceria se pudéssemos ver o futuro?
Ler, pensar e projetar o futuro tem sido habilidade escassa no meio educacional. Por um bom tempo compramos da mídia e de nossa própria falta de garra e fé, a cultura do fracasso. O destino da escola brasileira parecia o pior possível. Como um masoquismo coletivo, os educadores se entregavam a desvalorização da profissão, e como conseqüência instituiu-se uma sala de aula contraditória e sem vida. Uma escola 500 anos ultrapassada!
Este Brasil que se mobilizou para comemorar 500 Anos está em pleno desenvolvimento e repleto de oportunidades. Agora são “Outros 500”. Se a educação não mudar o jeito de contar essa história estará auto-profetizando o insucesso. Uma escola que fracassa no dever de educar para o sucesso, educa para o fracasso. Ela deixará marcas de medo e pessimismo no futuro do jovem brasileiro.
Uma atmosfera pesada que alimenta sua alma hoje com notícias ruins, vergonha, corrupção, impunidade, violência. Informações negativas que só servem para acomodar o espírito guerreiro. Ora, onde existe fraqueza com certeza existe força, onde existe fracasso, existe sucesso, onde há ameaça, existe um reino de oportunidades. A solução está onde está o problema. O sucesso depende da capacidade de identificar as causas dos problemas e solucioná-las através de um movimento coletivo e organizado. O exercício derrotista deve ser substituído pelo hábito de olhar o presente e desenvolver uma visão positiva do futuro. Onde a tecnologia e a ciência encontram-se à serviço de um ambiente melhor, para um ser humano melhor construir um mundo melhor para se viver. Então, que se construa uma escola melhor! Será que nós educadores estamos percebendo as oportunidades que nos cercam?
Uma Nova Ordem precisa ser estabelecida para o progresso brasileiro. Ordem e Progresso, uma expressão que deixa claro que não há sucesso sem trabalho. As tendências apontadas hoje pela mídia pinta um cenário paradoxal. Freqüentemente dados do IBGE, INEP, MEC, ORGANIZAÇÕES PESQUISADORAS, CIENTISTAS, UNIVERSIDADES, JORNALISTAS, entre outros, nos mostram, na mídia, dados e fatos que tiram da boca de qualquer gestor argumentos evasivos e achismos. São números que mostram a ausência de compromisso, competência e responsabilidade de muitos gestores do Sistema Educacional Brasileiro, trazendo a “vida como ela é” no setor público e privado. Visa também apontar esforços e ações individuais ou coletivos para transformar a realidade em algo melhor. Percebo que o gestor educacional não tem a cultura de estudar gráficos ou estatísticas, realizar pesquisas no seu próprio entorno e em seu ambiente interno. Mas estes seriam os melhores veículos que poderiam servir de sensores para a avaliação da gestão institucional.
A SITUAÇÃO ATUAL do Sistema Educacional Brasileiro é de crise . Nossos sensores o indicam: dados e fatos, contra os quais não há argumento. Tanto o setor público como o privado, evidenciam um momento de crise na competência gerencial, crise econômica, cultural, dificuldade de adaptação e entendimento do momento atual no mundo e no Brasil. A Tendência parece ser a pior possível, mas como diz o título de nosso artigo: TENDÊNCIA NÃO É DESTINO.
O Futuro da Educação está merecendo um estudo sério por parte de seus gestores, de todos os envolvidos no sistema educacional. Vemos o MEC com esforços constantes para dar outro destino a esta nação, no que se refere a “qualidade de ensino”, ou a melhoria da gestão escolar em todos os segmentos.
Nosso DESTINO está nas decisões que os educadores tomarem hoje quanto ao que farão para que essa profecia não seja realizada: “A tendência é piorar”. Esta é uma frase para pessimistas. Para transformar tendência de fracasso em destino de sucesso, dirigentes educacionais precisam começar por investigar o futuro. Ele está sendo investigado?
A Mudança terá que ser drástica: de uma escola com o formato de 300 anos atrás, quando se instituiu o livro impresso, principal tecnologia de muitos professores ainda, para atender às necessidades educacionais para o século XXI, que exige uma grande transformação nos métodos atuais de ensino, uma nova infra-estrutura de aprendizagem para permitir a Escola Global. Isto porque o sistema educacional como um todo está sendo desafiado a realmente desenvolver trabalhadores do conhecimento. A nova economia requer uma força de trabalho capaz de lidar com uma base de conhecimento em explosão tendo habilidades de análise e seleção das mesmas para que, daí, crie uma proposta inovadora, ou de melhoria, para os negócios que estarão inseridos. Resultado: o trabalho baseado na competência e habilidades de lidar com informações, transformando-as em sabedoria para aplicar em serviços criativos em suas estações de trabalho em interface com outras, pois só sobreviverão as organizações horizontais, onde os “cargos” são substituídos por “papéis”. Ou seja, o trabalhador empreendedor, transformando medo em desafio, idéias em projetos e produtos, sendo um intelectual íntimo dos computadores, modems, aparelhos diversos já existentes e que ainda estão por vir.
O gerenciamento desta transição requer liderança audaciosa e políticas públicas que encontrem novas maneiras de utilizar as forças de mercado e chegar a um acordo sobre as questões sociais, tecnológicas e financeiras que estão surgindo. Estamos diante de muita pressão dos órgãos reguladores, do mercado e sua pressão financeira.
As Instituições de ensino precisam controlar, otimizar e até reduzir custos, e ao mesmo tempo, gerenciar, novas dinâmicas de concorrência e responder a demandas sempre crescentes. Enfim, precisamos avaliar com rigor nossos papéis e competências e formar parcerias para sobreviver, contribuir e competir pelo futuro. Então, investigá-lo é exercício fundamental para o gestor de hoje. Mas esta investigação do futuro precisa estar ligada com o reconhecimento do ambiente externo em que a instituição está inserida. Tudo é contingencial.
O rio sente prazer em nos levar apenas quando ousamos soltar-nos.
Nossa verdadeira tarefa é esta viagem, esta aventura.
Richard Bach
A água corrente como símbolo do processo de elaboração de uma nova ordem.
A água corrente não recua diante de nada.
Adapta-se às condições do terreno. Preenche depressões. Desvia-se. Precipita- se das alturas. Margeia os obstáculos. E segue, constante, o seu caminho para o mar.
A Jornada, aventura ou viagem pelo rio que sentirá prazer em nos levar dependerá de nossa coragem de ousar: o risco pode ser a porta para o sucesso. A instituição de ensino terá que se preparar para esta viagem. A reflexão é a viagem, a crise é a aventura que poderá culminar em grandes oportunidades. Mas será preciso dar o primeiro passo em busca do futuro. Imaginá-lo é um bom começo.
O grito que invade a minha garganta é: PRECISAMOS APRENDER A LIDAR COM AMEAÇAS! ELIMINAR O MEDO E SAIR DO COMODISMO! PRECISAMOS SAIR DA NOSSA ZONA DE CONFORTO!!! DEIXARMOS DE AGIR COMO BOMBEIROS E NOS TRANSFORMAMOS EM ARQUITETOS DO FUTURO. Tendência não é destino. Podemos mudá-la.
Perdoe-me o texto em caixa alta. É um grito...
DÉBORA DIAS GOMES